Entre a Dor e o Sentido: A Travessia do Luto por Suicídio através da Logoterapia
- Psicóloga Daniela Coelho Andrade - CRP 11/08656
- 26 de mar.
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Segundo Viktor Frankl, criador da Logoterapia e Análise Existencial, a experiência de perda — especialmente em circunstâncias como o suicídio — confronta o ser humano com um tipo de sofrimento que não pode ser eliminado, mas que pode ser significado. Quando alguém afirma não ver mais sentido na vida após uma perda dessa magnitude, não se trata, na perspectiva frankliana, de uma ausência objetiva de sentido, mas de uma ruptura na capacidade de percebê-lo diante da dor.
Na Logoterapia, o sentido da vida é considerado incondicional — ele não desaparece, mesmo nas situações mais trágicas. O que ocorre é um estreitamento do campo existencial, no qual o sofrimento ocupa todo o horizonte psíquico, dificultando o acesso a possibilidades de significado. Para Frankl, essa vivência pode ser compreendida como um estado de vazio existencial intensificado pelo luto, onde a pessoa se vê desconectada de valores, projetos e vínculos que antes sustentavam sua existência.
Contudo, ele não propõe a negação da dor. Pelo contrário: reconhece que, em certos momentos, o sofrimento é inevitável — e é justamente aí que emerge uma possibilidade singular de sentido. Diante de uma perda irreparável, a vida ainda pode confrontar o sujeito através de uma pergunta silenciosa: “Diante disso que não posso mudar, como posso me posicionar?
Nesse contexto, o sofrimento pode ser transformado em uma tarefa existencial — não no sentido de justificá-lo, mas de responder a ele com responsabilidade e autenticidade. Isso pode envolver, por exemplo, a forma como a pessoa decide honrar a memória de quem perdeu, a maneira como cuida de si e dos outros, ou ainda como encontra pequenos gestos de continuidade da vida, mesmo em meio à dor.
Assim, para Frankl, a afirmação de “não há mais sentido” deve ser escutada não como uma verdade definitiva, mas como a expressão de um sofrimento profundo que ainda não encontrou uma via de elaboração significativa. O papel terapêutico, nesse cenário, é sustentar a dor sem reduzi-la, ao mesmo tempo em que, com delicadeza, se amplia o horizonte para que o sentido — ainda possível — possa, aos poucos, ser reencontrado.
Instituto de Suicidologia do Cariri – CRP 11/0575
Daniela Coelho Andrade – Psicóloga RT: CRP 11/08656
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Clínica João Paulo II - Crato-CE